Dourados: homem é preso por cárcere privado e violência contra esposa, filha e sogros
- Helio Cordeiro de lima
- há 5 dias
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No dia 2 de janeiro de 2026, a Polícia Militar foi acionada após denúncia de cárcere privado envolvendo uma adolescente, em uma residência localizada na Rua Dom João VI, em Dourados.
Ao chegarem ao local, os policiais foram abordados por N.F.S., tia da vítima R.S.L., que relatou que sua irmã N.F.S.L. havia pedido socorro à mãe, N.P.F., manifestando desejo de se separar do marido e alegando temor por sua integridade física.
Segundo os relatos, A.L.F.S. e N.P.F., pais da vítima, também haviam sido agredidos no dia anterior pelo genro P.J.S.L., ao tentarem intervir em agressão contra a neta R.S.L. A adolescente sofreu socos e foi atingida nas costas por uma xícara quebrada, após trocar uma saia por calça preta, contrariando imposições do agressor.
Diante dos indícios de lesão corporal, ameaça e violência doméstica, os policiais realizaram a prisão em flagrante de P.J.S.L. Na residência, em conversa reservada, N.F.S.L. e a filha H.S.L., de 15 anos, confirmaram as agressões contra R.S.L. e os avós, além de relatarem ameaças de morte contra A.L.F.S. O autor teria dito que sabia onde o sogro vendia mandioca e que “isso não ficaria assim”.
As vítimas também relataram que o agressor exercia controle coercitivo sobre a família, determinando roupas permitidas e proibindo o uso de celulares e redes sociais, com exceção parcial para R.S.L. devido ao trabalho, mas ainda assim sem acesso às mídias sociais.
Em diligência complementar, os policiais foram até o supermercado onde R.S.L. trabalha, e ela confirmou integralmente os fatos, reforçando as provas contra o pai.
O autor foi conduzido à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (DEPAC), junto das vítimas, para registro da ocorrência e providências legais.
fonte: Folha de Dourados
O que leva uma pessoa querer controlar a família e manter em cárcere privado, segundo a psicologia?
Segundo a psicologia, o comportamento de controlar a família e mantê-la em cárcere privado não possui uma causa única, mas é geralmente impulsionado por uma combinação de mecanismos de defesa, transtornos de personalidade e necessidades emocionais distorcidas
Abaixo estão os principais fatores psicológicos que levam a esse comportamento:
1. Mecanismos de Defesa e Ansiedade
O controle excessivo funciona frequentemente como um mecanismo de defesa contra a incerteza do mundo. O agressor busca segurança e estabilidade tentando prever e ditar cada detalhe da vida alheia para evitar a própria angústia e o medo do inesperado.
2. Transtornos de Personalidade
Indivíduos que mantêm familiares em cárcere costumam apresentar traços ou diagnósticos de transtornos específicos:
Transtorno de Personalidade Antissocial: Caracterizado pela falta de empatia, insensibilidade aos sentimentos dos outros e violação deliberada dos direitos básicos de terceiros sem remorso.
Transtorno de Personalidade Borderline: Pode gerar um medo patológico do abandono, levando a pessoa a usar táticas extremas (como o cárcere físico ou emocional) para manter o outro próximo e garantir que o vínculo não se quebre.
Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): A necessidade rígida de ordem e controle pode escalar para o isolamento da família como forma de manter um ambiente "seguro" e sob domínio absoluto.
3. Dinâmicas de Manipulação e Chantagem
O cárcere muitas vezes começa de forma sutil, através do cárcere emocional. O controlador utiliza:
Chantagem Emocional: Uso de culpa ou vitimização para impedir que o familiar saia de casa ou tome decisões independentes.
Isolamento Progressivo: Retirada de acesso a meios de comunicação (celular, redes sociais) e proibição de contato com amigos e vizinhos para aumentar a dependência da vítima.
4. Frustrações e Autoridade Distorcida
Em muitos casos, o agressor projeta suas próprias falhas e frustrações pessoais nos familiares. Ele pode sentir que a autonomia dos filhos ou do cônjuge é uma ameaça direta à sua autoridade, respondendo com a privação da liberdade para reafirmar seu poder.
Se você ou alguém que você conhece está em uma situação de controle extremo ou cárcere, é possível buscar ajuda por meio do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou do Disque 100 (Direitos Humanos).






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